007 sempre foi um universo que me agradou muito, desde os filmes até os jogos. Eu venho de uma época em que estive presente no precursor dos jogos de FPS: o 007 GoldenEye do Nintendo 64 foi um dos primeiros a trazer inovações tremendas, como tentar adaptar controles de um jogo em primeira pessoa a um controle de console — dentre outros aspectos que foram carregados e, até hoje, são padrão nos jogos de tiro em primeira pessoa. A Rare marcou época, foi uma das pioneiras no assunto e virou referência de muita coisa que ainda é feita por aí.
Desde então, nunca me deparei jogando um 007 com o mesmo ânimo e empolgação de quando jogava o do N64. Claro que tivemos outros FPS fantásticos e fenomenais, mas no universo 007 o GoldenEye, pra mim, ainda era a referência de um bom jogo, com bom balanceamento de dificuldade e bom humor no multiplayer. Joguei muito com vários amigos da época, centenas de horas de pura diversão e aventura.
Trailer
007 First Light é o novo capítulo do agente com licença pra matar, desenvolvido e publicado pela IO Interactive — o estúdio por trás de Hitman. Aqui acompanhamos um James Bond ainda recruta, em busca do seu 00, mergulhando numa trama internacional cheia de conspirações. O jogo chegou em 27 de maio de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC (Steam e Epic Games Store) e Nintendo Switch 2. Esta review é da versão de PC, jogada com teclado e mouse.
Como já fazia um tempo que eu não jogava nada nesse universo, achei o jogo interessante justamente por não ser algo tão pretencioso — nada mágico ou revolucionário. Era, na minha opinião, um jogo de 007 tentando dar um bom reboot da série, envolvendo mecanismos de espionagem, de porradaria e de tiroteio. E dito e feito: o jogo está repleto disso. Achei um prato cheio dessas mecânicas, e o jogo te prende querendo fazer as coisas do seu jeito. Se der errado, ele não te pune: você continua e, se quiser, tenta de uma maneira completamente diferente. Você tem a liberdade de entrar atirando pra todo lado ou de encontrar um caminho mais sigiloso, passando despercebido. Ficou muito bem balanceado.
Gameplay: espionagem do seu jeito
O grande trunfo é a liberdade de abordagem. Cada missão pode ser encarada na surdina, distribuindo uns socos no caminho e derrubando oponentes sem que os outros vejam, ou no estilo mais escancarado, com tiroteio pra todo lado. E o melhor é que o jogo não te pune por escolher o caminho: se o plano der errado, você segue em frente e tenta de outra forma. Os gadget da Q Branch ajudam a virar o jogo nos momentos de aperto, e as perseguições e cenas cinematográficas dão aquele tempero de blockbuster que a franquia pede.
A inteligência artificial de detecção de "algo errado" também ficou legal. Achei bem balanceada: nem exagerada, nem totalmente cega. Dá pra errar e se recuperar sem frustração, mas também não passa a mão na sua cabeça o tempo todo.
Combate corpo a corpo
As lutas mano a mano são bem legais, divertidas, e te fazem querer enfrentar os inimigos assim de propósito. Além dos confrontos abertos, dá pra agir na surdina, derrubando oponentes um a um sem que ninguém perceba. Aquele clássico de espião que todo jogo do gênero deveria ter.
Visual
Graficamente o jogo é bem legal, bonito e agradável de ver. Efeitos visuais modestos, mas com boa qualidade de atmosfera, universo, partículas e mundo. Não é nenhuma revolução gráfica, mas tem personalidade e passa a vibe de espionagem dos anos 60 com muito capricho.
Estrutura e exploração
Gostei do jogo ser linear com algumas áreas de exploração mais aberta e "side quests" pra completar. Apesar de eu não ter tido muito tempo pra fazer todas, achei legal ter essa oportunidade. Não gosto de falar em replay value, mas o jogo pareceu bom nesse ponto também.
Teve uma coisa que me incomodou, mas pode ser ao fato do jogo ser mais voltado pra essa geração mais nova que não quer pensar muito: a parte de exploração e descobrir o que precisa ser feito e pra onde ir podia ser melhor. O jogo está repleto de hints visuais — se você for cego, não vê. Isso às vezes pode ser muito bom, mas acho que exageraram no geral: toda hora tem alguma coisa amarela piscando te chamando atenção pra seguir. Isso tornou o jogo bem linear. Não me leve a mal, o jogo não é ruim, mas acho que não precisava toda hora pegar na mão do jogador pra mostrar onde ele tem que ir.
Trilha sonora
Em termos de trilha sonora, achei bem legal. Efeitos especiais de som e músicas encaixaram muito bem no jogo, na minha opinião. Nada espetacular, mas no geral ficou muito bom. As vozes são boas e o jogo tá bem rico nesse aspecto.
Dificuldade
Joguei na dificuldade média e me senti desafiado em vários pontos. Ainda assim, acho que podia ter tentado a dificuldade maior — não cheguei a tentar, mas depois de terminar senti que podia ter um pouco mais de desafio. Talvez fosse difícil demais pra mim, mas fico com vontade de experimentar uma partida numa dificuldade mais alta.
Controles
No geral, os controles no teclado e mouse são bons, mas com alguns botões e mapeamentos confusos. Acabei acostumando com o tempo, mas podia ser um pouquinho melhor, sei lá.
Veículos
Controlar os veículos foi bem legal, mas fiquei com um pouquinho de gosto de quero mais — dá pra sentir que ali tem mais potencial. Em termos gerais, com o jogo inteiro também fiquei com um pouquinho de querendo mais: gostei do desfecho, achei a história boa, envolvente e divertida de acompanhar.
O que eu gostei
✅ Liberdade de abordagem entre o sigilo e a ação
✅ Combate corpo a corpo divertido
✅ IA de detecção bem balanceada
✅ Visual bonito, com boa atmosfera
✅ Trilha sonora e dublagem caprichadas
✅ Side quests e áreas mais abertas
✅ História envolvente com bom desfecho
O que podia ser melhor
❌ Hints visuais em excesso deixando o jogo muito linear
❌ Mapeamento de controles confuso no teclado e mouse
❌ Veículos com gosto de quero mais
❌ Dificuldade média que, no fim, deixou vontade de mais desafio
Conclusão
No geral o jogo é bom, divertido, me deu horas de entretenimento e me senti preso a ele do começo ao fim. Se você é fã do universo 007 e sente falta daquele espanto do GoldenEye, vale dar uma chance pra esse recruta Bond — talvez ele não revolucione como a Rare fez, mas entrega uma aventura de espionagem muito gostosa de jogar.
Nota Final
007 First Light
Ação / Aventura / Stealth
9/10
8/10
8.5/10
8/10
8.5/10




















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